Entre os vândalos: muito além dos 90 minutos de um jogo

No último domingo peguei o jornal O Liberal para ler, coisa que não fazia há muitas semanas. Leitura rápida, descompromissada, mas que acabou me levando até o artigo da jornalista Andrea Mesquita, que falava sobre futebol. No artigo ela citava a paz na redação do jornal entre os funcionários/torcedores, e que não entendia o que levava certas pessoas a “passarem dos limites” por causa de um simples jogo de futebol.

A resposta, mais fácil talvez, se encontra no livro Entre os Vândalos, do jornalista americano Bill Buford, escrito no início da década de 90. Nele, o jornalista se infiltra no meio do hooligans ingleses com o propósito de entender o que se passava na cabeça daqueles jovens que adoravam beber em quantidades industriais e brigar todo sábado. A resposta não é tão assustadora, mas o que assusta mesmo é o relato do próprio Bill, que depois de um tempo naquele meio lutava para deixar toda aquela situação. No fim das contas, ele tinha se viciado – mesmo sem antes nem entender de futebol – naquela adrenalina de fazer parte de um grupo de torcedores e viver a cada fim de semana uma experiência nova.

No geral, os hooligans ingleses – que são parecidos com os torcedores brasileiros – são pessoas de classes sociais mais baixas, e que não possuem qualquer representatividade na sociedade em que vivem. Usam o futebol como pano de fundo, para se vangloriarem de seus feitos estúpidos e chamar atenção. Resumindo é isso: o que esses jovens torcedores querem é chamar a atenção das outras pessoas, mostrarem que também são poderosos – e de fato são, já que 5 ou 10 mil torcedores colocam em risco uma cidade inteira como São Paulo num dia de jogo – e que podem sim fazer o que bem entendem.

A leitura do livro é recomendada, já que aborda esses assuntos e o fato de toda essa “diversão” estar relacionada com o tipo de vida que essas pobres pessoas – financeira e culturalmente – levam em seus dias normais.

Claro que tudo isso é repugnante, e o autor do livro não defende esses torcedores. Mas é bom tentar entender como tudo isso acontece para não criar generalizações e deixar de lado o real sentido de tudo aquilo que se passa naquela sociedade que usa o futebol como uma arma. Se engana profundamente quem pensa que o futebol é apenas um esporte. Há muito tempo não é.

Fica a dica para a Andrea, pra você que lê este texto e pra quem um dia possa se interessar e que adora as frases prontas a respeito do tema violência. Justificada ela nunca vai ser, mas pode ser entendida como algo muito maior do que estamos acostumados a ver.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , , | Deixe um comentário

A alma se alimenta do que é feito com arte e amor

Na semana passada eu e a Maine fomos na tal Virada Cultural, em Santa Bárbara d’Oeste. Por preguiça não escrevi nada sobre o evento. Farei isso hoje, em poucas linhas pra não te cansar.

1 – Uns acham que isso não passa de um “pão e circo” moderno. Não tiro a razão de quem pensa assim, mas acho que as pessoas carecem de mais dias como aquele, tendo contato direto com eventos culturais de todo tipo. Faz um bem danado pra alma ouvir um bom som ou ver uma apresentação teatral.

2 – A Tiê e o Palhaço Pipoquinha ganharam mais um fã. Fui na expectativa apenas de acompanhar a Maine num show de uma cantora que ela gosta e acabei gostando também do que vi. O outro fez uma apresentação ali, no meio daquela fila gigantesca e barulhenta e fez a garotada dar boas gargalhadas.

3 – As pessoas têm sérios problemas com organização. Não só quem comparece aos eventos, mas quem organiza também. O coitado do Pipoquinha se apresentou praticamente na rua em meio à um falatório desrespeitoso de quem estava ali naquela fila pra entrar no show da Tiê. E o show começou com mais de uma hora de atraso. Cumprir horários é essencial, pelo menos pra mim.

4 – Impressionante como as pessoas furam fila na cara dura. Éramos os primeiros – formei a fila sem querer e fiquei ali, como o primeirão – e quando fomos entrar, uns 20 passaram na nossa  frente. Se eu fosse um baixinho invocado…

5 – Espero que tenha mais eventos do tipo. Eu sei que nisso vai um dinheirão danado que poderia ser investido em hospital, escola e mais um monte de coisa. Mas quem sabe frequentando lugares assim, tendo contato com bons artistas e suas obras, as pessoas não abrem um pouquinho a cabeça e passam a ser mais críticas. Pelo menos é o que eu espero/sonho.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , , | Deixe um comentário

O jeitinho que a publicidade dá não é brasileiro

Pensei em escrever aqui um texto falando sobre a canalhice da publicidade atual. Falando talvez dessa pose que os publicitários – não todos – tentam sustentar, se achando os reis dos reis. Mas acho que não vale a pena perder muito tempo com isso.

Vou simplesmente postar um vídeo – que não é novo – e que mostra como uma boa produção faz daquele lanchinho de merda do McDonald’s um lanchão saborosíssimo – pelo menos nas fotos.

Clique aqui pra ver.

E quando você chegar na fila do caixa, nunca se esqueça de olhar pra cima, ver aquelas fotos lindas e gostosas e se sentir um idiota. Ou eu estou errado?

Publicado em Uncategorized | Com a tag , | Deixe um comentário

O que a gente faz depois de levantar a taça?

“E assim eu vou, e assim a gente vai até o final ou até a parede mais próxima pra nos fudermos ou derrubá-la.” Zander.

Quando eu tinha lá meus 8, 10 anos de idade, era louco pra ganhar um Guliver de presente. Pra quem não conhece, Guliver era um jogo de futebol, mais ou menos nos moldes do futebol de botão, mas com hominhos de verdade, que mexiam a perna pra chutar e tudo. Eu achava aquilo o máximo, e como meu vizinho já tinha, era absolutamente normal que eu também quisesse um – uma vontade misturada com inveja.

Mas tinha um problema. Meu pai sempre foi do tipo que só dava presentes em datas especiais e comemorativas – Dia das Crianças, por exemplo, eu nunca ganhei nada porque faço aniversário em outubro -, o que acho certo, e esse desejo meu estava um pouco longe do fim do ano. Ou seja, eu teria que esperar um bom tempo para ter o meu Guliver. Assim, tive que esperar. Mas incrivelmente a vontade foi passando, dia a dia, e quando ganhei o presente já não tinha tanta empolgação assim para brincar. Tinha passado aquela vontade louca de jogar com meus hominho. Infelizmente, a demora fez com que eu me abatesse, e vi que outras coisas além disso estavam sendo mais interessantes naquele momento.

A vida tem um pouco disso. Sempre ouvi conselhos do tipo: “Tenha calma! As coisas não são da maneira e na hora que você quer”. Me acostumei com isso, e passei a ser uma pessoa muito paciente. Se por um lado isso me ajudou – é bom não explodir por qualquer coisa -, por outro pode ter me prejudicado. Acabei ficando paciente demais, querendo sempre entender tudo e todas as situações e deixando os meus desejos, por mais singelos que fossem, para trás. Fiquei sempre com a sensação de que uma hora as coisas mudariam, e continua assim até hoje. E sabe o que é pior? Tem muitas coisas que tem um tempo exato para acontecer, como a vontade de ter um Guliver na época em que eu era criança. Depois de um certo tempo, o desejo se torna uma vontade apenas mecânica, meio orgulhosa até, mas que jamais vai satisfazer a alma verdadeiramente.

O clichê dito por quase todas as pessoas é bem claro: “Só me arrependo das coisas que não fiz!”. É tudo uma grande mentira, afinal, quando a gente deixa de fazer algo é por uma escolha nossa – poucas são as exceções. Não sei se me arrependo das vontades que tive e não fui capaz de satisfazer, principalmente depois de adulto. São escolhas que fiz, independente de qualquer outra coisa, e agora não adianta lamentar. Aliás, reclamar é uma coisa que a gente faz muito, e que não adianta nada na maioria das vezes.Eu tento evitar o máximo.

O que fica de lição, pra mim, é que a vida poucas vezes te dá muito tempo pra pensar. É como quem diz: “Tú tem vontade de algo? Pense por 5 minutos e faça sua escolha! Mas seja rápido pois eu não tenho só você para atender”.

Cada escolha, sobretudo pessoal, gera um caminho no qual se deve prosseguir. Nem todas as pessoas, vontades ou brinquedos vão por este caminho, já que a escolha foi somente sua. Todos os gols que fiz com meu Guliver depois ficaram meio sem graça. Fiz por fazer, como o jogador que só joga por dinheiro e não por amor à camisa. Mas não posso reclamar. Jamais vou reclamar. A culpa, se é que alguém deva carregar um fardo assim, foi minha. Os jogadores fizeram a parte deles. Eu é que resolvi chutar na hora errada.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , | 1 Comentário

Feito de mentira

Dias atrás, numa dessas conversas de fila de banco, um estranho me perguntou se eu mentia. Não sei se foi alguma coisa que falei que o deixou intrigado, ou se ele simplesmente queria me testar. Não entendi nada pra falar a verdade, e minha primeira reação no momento foi não ter reação alguma. Fiquei em silêncio, e se o estranho for do tipo que acredita no ditado que diz que “quem cala consente”, ele certamente me julgou como um grande mentiroso.

Depois de um tempo, em que me recuperei do baque da pergunta indiscreta, disse que “Não!”. Que não mentia e costumava me comportar de maneira honesta, sempre buscando a verdade acima de qualquer outra coisa. Não sei se ele acreditou – acredito que não -, mas a conversa continuou depois disso, como se aquela indagação nem tivesse sido feita.

Paguei minhas contas e fui embora. Mas aquela dúvida veio comigo, ecoando na minha cabeça. Ela poderia ter ficado na porta giratória, retida como os metais sempre ficam, mas não se prestou a isso. Me acompanhou por todo o caminho de volta, que eu fazia questão de percorrer numa tranquila caminhada até a minha casa, que ficava mais ou menos próxima da agência bancária.

Eu menti pra ele. Falei que não mentia, e isso por si só já é uma grande mentira. Ele queria me testar. Mas por quê? Quem mandaria um estranho me testar numa fila de banco?

Desculpa se você se considera uma pessoa de boa índole, correta e honesta, mas você, assim como eu, também mente. Todo mundo mente, nem que seja uma mentirinha bem pequena de vez em quando, só pra fugir do atendente de telemarketing chato que insiste em roubar nosso tempo. A mentira faz parte de nós. Somos feitos dela – uns mais que outros -, e não podemos negar.

A mentira é uma ilusão, uma espécie de universo paralelo que faz a gente viver o que não é real. Os sonhos, talvez só sejam tão especiais e prazerosos porque são feitos de mentiras. Lutamos para não acordar no meio de um deles, porque nos sentimos bem com aquilo. Às vezes temos pesadelos, e a primeira coisa que fazemos ao acordar é soltar um “Ainda bem que era mentira!”. Não deixa de ser um aprendizado.

O que me intriga, ainda, é porque o estranho me abordou daquela maneira. Eu não sei nem o seu nome e teria uma dificuldade tremenda em descrevê-lo no “retrato falado” da polícia, caso seja um criminoso. Talvez ele seja um criminoso, já que roubou de mim um segredo que eu guardava à sete chaves, como prova da minha inocência perante o mundo.

A mentira me derrubou e me fez perceber que muitas vezes ela é mais forte do que a verdade. Este texto pode ser uma prova concreta de tudo o que falei.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , | 1 Comentário

Sobre crack, programas esportivos e outras drogas

Perco uma parte considerável do meu tempo assistindo programas esportivos na TV. Nada contra os profissionais que estudaram, que se dedicam à isso como uma forma de ganhar sua grana, mas pra mim não dá mais.

São sempre as mesmas conversas, as mesmas repetições. Dificilmente muda alguma coisa de um dia pro outro e convenhamos que é um saco ficar ouvindo pessoas comentando de um jogo que você viu com os próprios olhos. Conversas que não acrescentam nem no meu papo de bar, com os amigos que torcem para os rivais. Aliás, faz muito tempo que não discuto futebol numa mesa de bar.

Mas isso é como droga. Atinge em cheio o viciado, que no fundo sabe que aquilo não vai resolver problema nenhum mas que está lá, firme e forte. Deve ser por isso que todos os dias eu, mesmo sabendo do mal que isso me faz, sintonizo minha TV e fico hipnotizado vendo vários caras falando sobre futebol. Começo a achar que o babaca não são eles, mas eu. As mulheres certamente vão concordar comigo.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , | 3 Comentários

Topless: se a cabeça é aberta não importa o tamanho dos seios

Dessa vez foi Carolina Dieckmann que vacilou. Depois que eu vi a “notícia” de que suas fotos nuas caíram na internet, fiquei pensando em escrever um texto sobre as famosas e seus deslizes. Pensei, pensei e não consegui achar um viés interessante para isso, um motivo para escrever sobre o tema e fazer algum tipo de reflexão.

Foi um vacilo, mas que poderia acontecer. Nem sei se foi mesmo um vacilo ou uma jogadinha para aparecer na mídia – acho que não acredito nisso. O certo é que o vacilo rendeu uma dúzia de notícias nos jornais e muitos comentários no Twitter.

O que me espanta é a quantidade de pessoas que caem nesse truque. E é por isso que eu acho que as pessoas têm várias personalidades, e que mudam de acordo com as ocasiões. Pode ser que Carolina tenha tirado essas fotos num momento de êxtase, prazer e tenha achado isso o máximo no momento. Agora, que viu suas partes íntimas sendo compartilhadas e homenageadas pelo público masculino se arrepende amargamente.

E as pessoas malham a mulher, como se fosse uma vagabunda por isso. Justo aqui no Brasil, o país das bundas e dos comentários hipócritas. Pior é que essa história de advogado, de perícia, só faz a coisa ficar ainda mais ridícula. Tirou as fotos, mostrou a periquita agora aguenta. E se ficasse quieta, logo paravam de falar, mas não sei se é isso que ela quer.

Hoje é ela quem chora. Amanhã pode ser outra sub celebridade. E o que fica é a certeza de que esse círculo vicioso provavelmente não vai terminar tão cedo. Afinal, com celulares potentes todo mundo se acha fotógrafo. Nada mais justo que com isso qualquer mulher que tire a roupa se sinta digna de um ensaio sensual. Tem um pessoal aí que vai agradecer eternamente.

Publicado em Uncategorized | Com a tag , , | Deixe um comentário