Quando a gente erra por pouco

A Mega-Sena acumulou. De novo.

E deitados na cama olhando pro teto no quarto que não tem televisão, fazíamos planos de como gastaríamos aquela grana. Afinal, eram quase 200 milhões de reais que poderiam entrar na nossa conta bancária assim, depois de meia dúzia de rabiscos num pedacinho de papel.

Poderíamos pagar o apartamento, comprar umas coisas, uma câmera nova. Pensamos até em distribuir uma parte do dinheiro com pessoas próximas.

A lotérica estava lotada. A fila era grande, sei lá, mais ou menos 40 pessoas. Não sentia que qualquer uma daquelas pessoas poderia ganhar. Não tinham a mínima chance, nem de levar a quadra.

Aliás, que coisa horrível é levar a quadra, a quina. Imagina só que sofrimento, que frustração estar conferindo as seis dezenas e na última, quando você já se acha um milionário, errar o número. Errar por pouco, tipo jogar o 30 e sair o 31. Não, eu não quero isso pra mim. Carregar pro resto da vida a sensação de ser quase um milionário, de ter falhado no último. É muito para um homem.

basket2

Temos algumas chances

É por isso que deitados olhando pro teto do quarto sem televisão, achamos quase impossível ganharmos na Mega-Sena que acumulou. Não jogamos, não fizemos nossa fézinha.

E não gostaríamos de ter que mudar todos os nossos planos, se mudar pra outro país por medo. Não gostaríamos de morar em Paris como um refugiado, reféns da própria sorte que se transformaria com o tempo num azar eterno.

Não. Acho que não queremos isso não. Talvez a Lotofácil, que nem é tão fácil assim, já poderia nos dar um alento para pagar umas dívidas e dizer aos mais próximos que ganhamos, mas que não foi tanto assim como eles imaginam.

Nesse caso eu prefiro sonhar mais baixo.

Coisas que vi na TV: Documentário “Los Hermanos – Esse é só o começo do fim da nossa vida”

Admiro quem faz. Quem pega a bola, bota embaixo do braço e começa a jogada. Quem assume o risco por saber que é capaz. Mas admiro também quem recebe a bola e toca de lado. Quem se julga incapaz de determinada tarefa e passa ao próximo, num gesto de humildade e autoconhecimento.

Eu seria um admirador sincero de Maria Ribeiro se ela fosse capaz de deixar de lado o documentário sobre a turnê de volta do Los Hermanos.

O registro só vale para quem gosta da banda. Do resto, se aproveita muito pouco.

Câmeras que tremem, captação de áudio ruim nas entrevistas – é preciso legenda em vários casos – e trechos de shows longos e cansativos. O roteiro é fraco e poderia ter sido escrito por mim caso eu me julgasse capaz. Nesse momento, não seria o caso e eu tocaria de lado.

Admiro as pessoas que botam a mão na massa e fazem, como já disse. Mas talvez a banda merecesse um trabalho mais bem elaborado para contar sobre sua volta aos palcos. No mínimo deveríamos ter um documentário que chegasse ao nível da banda.

Não foi o que vimos. Infelizmente.

los hermanos documentário resenha crítica maria ribeiro fraco banda

O último homem sem barba dessa cidade

Não vou ao cabeleireiro há mais de 6 anos. Depois que descobri que posso cortar o pouco cabelo que tenho em casa, abandonei o Valdir, que cortou meu cabelo desde minha infância.

Valdir não fazia – não sei se sabia fazer – cortes modernos. É o antigo e famoso barbeiro. Ele sequer lavava o cabelo dos clientes. Não tinha frescura, e o máximo que fazia naquele tempo era jogar um pouco de gel na hora de pentear – usar gel estava na moda naquela época. Só.

E o barbeiro, profissional que estava ultrapassado depois do surgimento dos cabeleireiros moderninhos, voltou ao mercado como um profissional moderno.

A “moda” tratou de resgatar os antigos barbeiros e suas barbearias. Ou melhor, os cabeleireiros moderninhos se cansaram dos salões requintados/esterilizados e resolveram abrir seus barber shops para ganhar uma grana e explorar a onda retrô.

Para os homens, podemos dizer que foram tempos difíceis. Eu mesmo cheguei a cortar o cabelo num desses salões, e convenhamos, era desconfortável. O ambiente era frio e tentavam sempre te deixar com cara de modelo de revista, fazendo o cabelo da moda. Corri disso rapidamente. Pra cortar o cabelo de um homem não é preciso muito.

Algum visionário e entendido de marketing viu a possibilidade de recriar os ambientes masculinizados com novos atrativos, como mesa de sinuca e cerveja. Parece que deu certo. Hoje temos inúmeras barbearias pela cidade que utilizam esse conceito e a tendência é que o número – de clientes e de estabelecimentos desse tipo – cresça.

Mas não se engane. Os bairros periféricos estão cheios de barbeiros reais, verdadeiros e sem frescura. Que cobram R$10 ou R$15 pra dar um “tapa no telhado”. Preço assim você não vai encontrar nos barber shops.

É bom que exista essa renovação, mudanças e alternativas. Mas é melhor ainda saber que algumas coisas não mudam, no máximo “adormecem”. Quiseram matar os barbeiros. Quiseram. Eles provaram que são imortais, e que a tradição não se curva a idéias moderninhas que acham por aí.

Afinal, cortar o cabelo não é nenhum evento ou compromisso social. É só cortar o cabelo.

barbershop tendência moderna moda beard barba marketing

A difícil arte de escolher um colchão

Ganhamos um colchão.

E gentilmente nos foi pedido para que fôssemos até a loja, escolher o modelo. Ficamos felizes, já que além de ganhar um baita presente, poderíamos escolher o melhor modelo.

Você já comprou um colchão? Isso é importante saber.

Se a resposta for “não”, certamente não vai fazer idéia do que vou dizer nos próximos parágrafos. Se a respostas for “sim”, vai entender o drama que vivemos.

cama dormir colchão como escolher valor casado

Falo em “drama” não no pior dos sentidos. É que é curioso escrever sobre colchões e as dificuldades em escolher esse tipo de produto.

Pra começar, não entendo o porquê dos vendedores de colchões andarem engravatados e com um jaleco branco, como se fossem doutores. Talvez seja essa mesmo a intenção, algo como “doutores do bom sono”. Estranho. Pessoal do marketing às vezes exagera.

Ao chegarmos na loja e ter conversado 2 ou 3 minutos com o vendedor, fomos ao que realmente interessava: escolher o colchão. Mas como escolher um colchão? Se até pouco tempo nem cueca eu comprava sozinho, não fazíamos a menor idéia de como aquela escolha poderia ser feita. Mas a resposta era fácil: deitando. Óbvio.

Meio sem jeito, tomamos a iniciativa e deitamos na primeira das duas opções que tínhamos. Um colchão firme, duro, ortopédico. A segunda opção era mais mole, talvez relaxante num primeiro momento, um colchão de molas sem nada ortopédico. Ficamos com o primeiro.

O mais estranho é estar ali. Parece frescura, eu sei, mas ficar deitando em colchões variados para testá-los é um tanto quanto constrangedor. Ainda bem que não tinha ninguém na loja. Não rolou aquela vergonha de quem nos via. O vendedor certamente está acostumado com essa situação, e talvez nem imagine que seus clientes sentem esse receio de ficar se deitando ali, como ele mesmo “manda”.

O que não é nenhum absurdo, afinal, ter um bom colchão é essencial para descansar o corpão no fim do dia. Passamos em média 8 horas deitado – pra muitos mais de 1/3 da vida toda -, o que significa que é importantíssimo ter um colchão de boa qualidade.

Mas aquela era uma sensação estranha. Como eu disse anteriormente, se você já comprou um colchão, sabe do que eu estou falando e pode até rir da situação que descrevi se lembrando de alguma que passou. Se nunca comprou, espero que um dia possa passar por tudo isso. Sinal de que você “cresceu”, pegou seu rumo na vida e foi fazer as coisas do seu jeito. E se deitar em outras camas que não seja da casa da sua mãe.

Preguiça e crise não combinam

Quando o calo aperta sobra pra todo mundo.

A situação do país, que não é das melhores, favorece atitudes agressivas, palavras ácidas e críticas ainda mais contundentes. Contra tudo e contra todos.

Estamos apertados. A falta de grana é geral – tirando alguns afortunados, mas que também tem medo de ver suas contas diminuírem os zeros – e teoricamente não tem muito o que fazer. Ou tem.

balões FINANCEIRA CRISE DILMA PAÍS BRASIL média dinheiro falta

Não é querendo bancar o bobo ou o incompetente motivado, mas em momentos assim é preciso fazer mais. No meu trabalho, no seu, na minha casa ou na sua tem pessoas se queixando da atual situação. O dinheiro já não compra mais o que comprava e infelizmente é assim que percebemos quando algo não vai bem.

A maioria prefere reclamar, xingar a presidenta, falar sem ter conhecimento do que anda acontecendo e … não fazer nada. E olha que não sou e não vou ser defensor desse nem de qualquer outro Governo que faça suas cagadas e coloca no do povo.

Mas quer um conselho? Não vai adiantar muito reclamar.

É preciso que se faça uma breve reflexão de como as coisas estão e seguir.

Na Suécia, por exemplo, até o primeiro-ministro faz faxina na própria casa. Isso por aqui é impensável até pra você que não dispõe de tantas regalia$. Mas dar uma lavadinha no banheiro não vai te matar. Vai te fazer economizar e ensinar alguns valores.

Pode chorar à vontade. Reclame, fale baixinho quando estiver no banho, faça fofocas no corredor da firma ou espalhe boatos no Whatsapp. Não tem problema. Mas quando chegar em casa ou ainda no ambiente de trabalho, faça algo diferente além disso.

Pode estar em você a chave pra mudança do país. Se não for do país, do seu próprio mundo.

Um livro que vale por uma oração

Tenho o hábito de escutar o podcast da Trip FM. Lá, descobri o Lauro Henriques Junior, que escreveu o livro “Palavras de poder”.

Que livro!

Lauro entrevistou vários líderes religiosos e espirituais e quis saber deles particularidades de suas crenças e mensagens que poderiam ser passadas para qualquer pessoa que lesse o livro – e não necessariamente seguir determinada religião.

foto lauro henriques junior livro palavras de poder divulgação texto crônicas fragmentos entrevistas

Quem tiver a oportunidade de ler, por favor, não perca. Mais do que querer mudar o mundo, devemos refletir sobre nossos comportamentos. E pessoas assim nos ajudam bastante nessa árdua tarefa.

A seguir, separei alguns trechos – ou frases – das entrevistas contidas no livro.

“O caminho do meio é o que nos permite seguir pela vida sem apegos e, ao mesmo tempo, sem aversões. É a consciência obtida por Buda após ter experimentado dois extremos em sua vida: a opulência de um príncipe e, depois, a renúncia radical de um asceta, que nem comia. E Buda concluiu que tanto o caminho do excesso quanto o da aversão não levam a lugar nenhum, que é preciso trilhar o caminho do meio. E que caminho é esse? É o caminho da flexibilidade. Não nego minhas necessidades, mas, ao mesmo tempo, não busco satisfazer todas elas. Meu papel é perceber qual atitude é a mais adequada a cada momento, a cada circunstância”. Monja Coen

“Um ótimo exercício é, sempre que alguém começa a despejar negatividade em seus ouvidos, pare de ouvir, saia de perto, mude de assunto. É difícil, sem dúvida, mas é incrível o quanto a nossa vida se transforma ao pararmos de falar mal dos outros e das coisas”. Ian Mecler

“A fofoca é tida como um passatempo inofensivo, mas é a arma mais poderosa de controle social. Como eu disse, todos vigiam todos para que ninguém faça o que todos gostariam de fazer”. José Ângelo Gaiarsa

“Não se pergunte sobre o que o mundo precisa. Se pergunte sobre o que o faz sentir-se vivo, e vá fazer isso. Porque o mundo precisa é de pessoas que se sintam vivas”. Howard Thurman

“Como disse o místico alemão Meister Eckhart: Se a única oração que você fizer durante toda sua vida for ‘Obrigado’, isso já será o bastante”. Susan Andrews

“Daí se vê a importância do autoconhecimento, pois é por meio dele que posso descobrir quais são as minhas verdadeiras intenções, e mais que isso, descobrir quem realmente está por trás delas. São meus pais, imposições sociais, meu ego, ou é a minha essência? Se a intenção vem da minha essência, terá um resultado positivo”. Roberto Otsu.

“Se nós respeitamos todos os seres, não precisamos mais falar de amor, pois já o vivemos concretamente. São Francisco vivia esse respeito radical diante de toda e qualquer realidade, desde a lesma da estrada até as estrelas mais distantes. Por isso, seu amor era incondicional, dirigido a Deus, aos pobres e a cada uma das criaturas”. Leonardo Boff

Se quiser o livro, posso emprestar. Vale a pena.

Planejar é preciso

Quando as coisas vão mal nos negócios logo surge alguém dizendo que “faltou planejamento”. É comum ouvirmos isso nas empresas, nas administrações públicas e até mesmo no mundo dos esportes, como no futebol.

planejamento marketing empresas importância relaxo deu errado não faltou

Em alguns casos pode até ser verdade, mas não é regra. Existem vários motivos para o fracasso. Pode ter faltado planejamento, mas ele pode ter existido e construído de maneira errada ou simplesmente abandonado no meio do caminho.

Planejar é importantíssimo dentro de uma empresa. É essencial para que seus gestores possam tomar decisões acertadas, nos momentos corretos, e caso algo dê errado durante o trajeto, o planejamento serve para que outros caminhos possam ser trilhados sem tantos prejuízos.

planejamento marketing empresas importância relaxo deu errado não faltou

Convenhamos, até mesmo em nossas humildes – para alguns insignificantes – vidas é necessário o mínimo de planejamento. Na teoria é fácil falarmos em levar a vida como numa música do Zeca Pagodinho – deixa a vida me levar, vida leva eu… -, mas na prática não é bem assim.

Portanto, quando alguém vier com a história de que “faltou planejamento por isso deu errado”, é bom ficar esperto. As coisas nem sempre são do jeito que as pessoas falam. Ele pode ter existido, mas se não for seguido, é como se não existisse.

planejamento marketing empresas importância relaxo deu errado não faltou