A trilogia triste de Gabriel Zander

Primeiro foi o Discoteque. Confesso que naquele tempo não conhecia a banda e por isso não posso falar que já admirava o som. Depois foi o Noção de Nada. Foi ai que eu me dei conta do belo trabalho de Gabriel Zander. Foi ai o começo. Onde virei fã de carteirinha desse carioca e conheci, enfim, o Discoteque. Nessa época, podemos dizer que o Discoteque já tinha “partido dessa pra melhor”. Acabou mas nos deixou um belo cd. Com o Noção de Nada, aprendi muitas coisas. Não foi só a admirar as músicas, e sim a conhecer inúmeras outras coisas através das letras, como os livros de Pedro Juan Gutierrez, que é até hoje meu autor preferido. Foi uma época boa. Foi num show do Noção (bem vazio por sinal) que senti pela primeira vez certa emoção num show de rock. Era uma coisa inexplicável, parecia que todas aquelas canções tinham sido escritas por mim. Não! Eu não me acho nem um pouco poeta, mas é que elas retratavam o real momento que eu vivia. Não era “rock de protesto”, era rock. Alguém gritava dentro de mim e aquilo era empolgante, viciante. Quando tudo parecia simples e que seria o começo de uma jornada “vitoriosa”, acabou. Ninguém (ou pelo menos eu) sabe o porque do fim. Não importa. Nos deixou 4 belos cds que tocam até hoje na minha “vitrola”. São atuais e especiais. Verdadeiros. Feitos apenas com o coração, sem segundas intenções (a de ser comercial, por exemplo). E nem poderia ter. “Faça-me o favor de ir se fuder, você sabe, eu nem preciso dizer!” não é uma frase comum para se abrir um cd. O Sem gelo foi assim, direto. Por isso é marcante e talvez o melhor de todos.

Com o fim do Noção, surgiu o Deluxe Trio. Na verdade ele já existia, mas era apenas um “trabalho paralelo”. Com o tempo, foi tratado de forma diferente. O trabalho começou a render e deixou de ser algo paralelo, propriamente dito. Ganhou forma e era a minha banda preferida até ontem. Até ontem? É! Digo “até ontem” porque acabou também. Não importa o motivo. Acabou e deixou pra trás mais 3 cds muito bons. Era diferente do Noção, mas não pior. Era mais direto ainda e isso me agradava. As coisas são assim. Tudo que é bom dura pouco. Parece tão clichê, mas não. É verdadeiro. Acho interessante o fato de “acabar” por deixar pra trás apenas bons trabalhos, não fazendo” merda” afim de agradar fulano ou siclano. Poucos entendem como é a sensação que sinto (ou sentimos, falando em todas as pessoas que gostavam da banda). Mas isso não é o fim, pelo contrário. Outros trabalhos virão e pelo visto, serão ainda melhores. No mesmo dia que anunciou seu fim, descobri o Zander, a nova banda do Gabriel. Foi como um prêmio de consolação. E que prêmio! Esperamos que agora, na quarta banda, as coisas sejam um pouco mais duradouras. Até porque, a nova banda leva o nome de Gabriel. Ele não seria capaz de fazer algo ruim normalmente, com um projeto com seu nome, acho bem improvável. A trilogia acabou, mas calma. Não é o fim do rock, definitivamente. Temos pouco tempo pra chorar as pitangas, justamente porque o rock não para. Mesmo assim, obrigado por poder particpar dos nossos mundos, Deluxe Trio.

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Um pensamento sobre “A trilogia triste de Gabriel Zander

  1. muito bom. ao ler seu texto gerou aquela nostalgia depois das 23h de domingo tendo que pegar serviço cedo no dia seguinte que é uma triste segunda. e o mais legal, a banda que mais gosto do faces do 3o mundo é o noção que é do rio. sou de bh em Minas, mas o gabriel(bil) do noção é de bh. show do noção de nada aqui era muito legal, pq os parentes dele de bh tipo tios e etc iam no show pra rever ele; noção já é bom de dançar com esse carinho explícito ficava ainda melhor

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