Típicas manhãs

6h20m e o relógio desperta no quarto ao lado. Eu escuto, claro, me acostumei a acordar nesse horário, mas não levanto. Numa casa em que as quatro pessoas precisam sair cedo o banheiro vira o cômodo mais concorrido. Espero. Faz de conta que eu ainda não acordei e espero alguém vir me chamar. Se não chamar, não levanto. Fico dormindo e quando acordar dou a desculpa clássica, a de quem perdeu hora. Todo mundo um dia já perdeu hora. É aceitável, não há o que fazer. Evidentemente que isso “cola” uma vez ou outra. Quem perde muito a hora acaba perdendo o emprego. Tudo bem, hoje eu levantei no horário certo (7h10m) e fui ao banheiro, já desocupado. Ainda durmo e prefiro não tomar um banho. Tomei ontem antes de deitar e o frio durante a noite foi intenso. Não há necessidade de outro banho num espaço de tempo tão curto. Não gosto muito pra falar a verdade.

Após escovar os dentes e lavar o rosto, passo rapidamente pela cozinha. Não gosto de tomar café da manhã correndo e muito menos logo após levantar. “Pesco” umas bolachinhas na mesa, guardo numa das mãos e vou embora. O carro é o lugar ideal. O problema é dirigir. Não gosto muito, prefiro ser o carona. Mas neste caso não tem jeito, não há companhia para dirigir. Aliás, a companhia é sempre a mesma e não é só minha, mas também de muitos motoristas solitários: o rádio. Não quero música, prefiro o noticiário da manhã. Faz de conta que sou bem informado e sei do que acontece ao meu redor. Não tem como absorver tanta coisa. São apenas 10 minutos de casa até o trabalho e ainda estou “dormindo”. Preciso de um tempo pra acordar.

Chego no trabalho e já está quase todo mundo lá. Só o Mauricião que não. Ele é o rei do atraso, não sei como consegue. Qualquer hora ainda perde o emprego. Fico impressionado com a alegria das pessoas logo pela manhã. Enchem a boca pra falar “bom dia!”. Bom dia? Só se eu acordasse às 10hs. Odeio levantar cedo e esse tipo de gente. Querem conversar, comentar sobre o jogo do dia anterior ou dos assassinatos durante a madrugada. Não! Eu não quero saber de nada disso. Foda-se quem ganhou ou perdeu, fugiu ou morreu. Quero paz! Silêncio. Passo por todo mundo com cara de quem foi sabotado pelos deuses da alegria sem dizer uma única palavra. “Ó que cuzão!” diz um deles. Foda-se! Entro na minha sala, fecho a porta e começo a trabalhar. Quando eu realmente acordo eu saio dela e deixo lá todo esse mau – humor. E ai sim começa o meu dia.

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