Cadê nosso feriado?

A gente não gosta muito de trabalhar. Roupa? Só se for preta. O cabelo não pode estar no “meio termo”; ou está grande demais ou curto, raspado. Nada de gelzinho na cabeça, topetinho feito pela vovó. O tênis a gente sempre espera que esteja rasgado e sujo, assim como as calças. Não damos valor a coisas materiais nem a boa culinária. Se tiver quaquer porcaria pra comer e alguma bebida alcoolica já está de bom tamanho. Som? Muito, e se possível o dia todo, com muito barulho e gritaria. Coisa do capeta, como seu avô sempre gosta de dizer. Assim nós somos, os chamados rockeiros (ou roqueiros, como queiram).

O preconceito e a dificuldade em entender o diferente sempre fez com que a sociedade (e nós somos a sociedade) olhasse para os rockeiros de uma forma no mínimo curiosa. Tudo o que foi citado acima perdura até hoje, mas a gente não liga. Ser do rock hoje em dia está fora de moda. Parece que ninguém quer mais se rebelar e nem ser diferente dos demais. É mais fácil gostar do pagodinho ou do sertanejo universitário que toca o dia todo na rádio comercial da sua cidade. Imagine: num churrasco de desconhecidos, como é que o rockeiro vai puxar assunto sobre a música que está tocando ali e as piriguetes se matam de rebolar? Lógico que ele vai gostar, mas só porque vê a mulherada rebolando.

Ser do rock é não se rotular, mesmo que com tal afirmação você já esteja se rotulando. É diferente ser do rock. É mais gostoso porque você cria em si mesmo raízes com alguma coisa, mesmo que essa coisa seja um estilo musical. Não é apenas um estilo musical, e sim toda uma forma de viver a vida. É dar valor a coisas mais pequenas, como a sua primeira fita com músicas dos Ramones, Sex Pistols e mais uma porrada de bandas que você achou jogada por algum canto. É ter alguma coisa pra guardar, mesmo que seja livros que conte a história da sua banda preferida e um dia, seja amanhã ou daqui há 20 anos, seu filho vai ver na sua estante empoeirada e vai ler, pra saber o que o pai dele (ou a mãe) um dia escutou ou leu. Mesmo em baixa, é bom ser do rock. É melhor que seja assim, e por mais que os gananciosos queiram, ele dificilmente vai acabar. Sempre vai ter um boteco em algum lugar do mundo disposto a abrigar 3, 4 ou 5 loucos a afim de tocar e fazer a galera cantar junto. Só no rock a gente consegue curtir a música, a banda e no final de cada apresentação, ir lá trocar uma idéia com seu “ídolo”. Ele vai tá lá na banquinha da banda, vendendo uma camiseta qualquer pra tirar uma grana extra pra cerva.

Assim é ser do rock. Não só isso. Mas não vale tanto a pena dizer aqui o resto. Quem é do rock sabe como que é. E se ainda hoje acham que rockeiro é tudo vagabundo, por que é que no nosso dia não é feriado? Hein?
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