Um pouco mais de Gutierrez

“Na verdade, aqueles entardeceres com rum e luz dourada e poemas duros ou melancólicos e cartas aos amigos distantes me faziam ganhar confiança em mim mesmo.

Se você tem idéias próprias, mesmo que sejam só umas poucas idéias próprias, tem de compreender que estará sempre encontrando caras feias, gente que faz questão de lhe dar o contra, de diminuí-lo, de “fazer você entender” que não tem nada a dizer, ou que você deve evitar aquele sujeito porque ele é louco, ou afeminado, ou um verme, um vagabundo, outro porque ele é punheteiro ou voyeur, outro porque é ladrão, outro, macumbeiro, espírita, maconheiro, outra porque é canalha, indecente, puta, sapatona, mal educada.

Eles reduzem o mundo a umas poucas pessoas híbridas, monótonas, aborrecidas e “perfeitas”. E assim querem transformar você num excluído e num merda. Jogam você de cabeça na seita particular deles para ignorar e suprir todos os outros. E lhe dizem: “A vida é assim, meu senhor, um processo de seleção e descarte. Nós somos donos da verdade. O resto que se foda” e como passam anos martelando isso no seu cérebro, quando você esta isolado se acha o máximo e se empobrece muito porque perde uma coisa bonita da vida, que é desfrutar a diversidade, aceitar que nem todos somos iguais e que se assim fosse seria muito chato.” – Pedro Juan Gutierrez em Trilogia suja de Havana.

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Um pensamento sobre “Um pouco mais de Gutierrez

  1. O rock, a escola e quem realmente me ensinou a ler | Risca e faz de novo!

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