Compre o quanto puder.

Vivemos numa sociedade capitalista. Isso é um fato já consumado e não adianta nos revoltarmos contra este ou aquele por isso. O ser humano não foi feito para conviver pacificamente com outros seres humanos. A ganância, o destempero e o medo fazem com que nosso comportamento seja alterado dia a dia. É uma guerra, talvez contra nós mesmos, diariamente. Mas não é disso que eu quero falar.
Quero falar sobre o ato de comprar. Muitos repudiam, acham errado e gostariam que fosse o inverso. Outros fazem disso um estilo de vida, para confortar o ego ou simplesmente para fazer o dinheiro rodar no mercado financeiro. Eu queria ser o meio termo, mas estou quase na segunda opção.
É fato que compramos cada vez mais. Mas compramos errado. Gastamos talvez fortunas com coisas que nunca mais terão valor algum, nem sentimental. Sou a favor da compra, mas daquela que seja compartilhada por anos e anos. Quando pensamos no futuro, a grande maioria das pessoas pensam em morar junto com outra pessoa, ter filhos e passar algum ensinamento para aquelas crianças. Mas peraí: o que vamos deixar para nossos filhos?
Eles não vão querer este seu carro que hoje é do ano, já que quando ele fizer 18 anos vai estar mais do que ultrapassado. Não vai querer também mexer no seu pen drive, que é uma coisa tão sem graça e comum para ele. Não! Seu filho vai querer outras coisas. Ele vai querer mexer nos seus discos, já que aquilo é uma novidade pra ele. Ele nunca vai poder comprar um disco, visto que não se vende mais no formato físico. Assim, ele vai poder conhecer sua banda preferida e ao invés de você contar histórias sobre o chapéuzinho vermelho, poderá contar sobre o dia em que comprou aquele disco ou quando foi a primeira vez que foi num show de rock. Ele vai querer mexer nos seus livros e vai achar aquelas páginas amareladas a coisa mais estranha que já viu. Mas aposto que ele vai gostar, visto que os e-books dele são totalmente sem graça, que podem ser carregados pra qualquer canto mas que não carregam nenhum charme histórico.
Seu filho vai querer muito mais que ter informações e preferências. Ele vai querer saber sobre você, sobre seu passado e certamente contar sobre a sua primeira bebedeira vai ser uma das experiências mais fantasticas para ambos, já que ele vai ter certeza de que não tem um pai perfeito, mas tem um pai real.
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