Observações de sexta-feira.

Quando Toquinho subiu naquele grande palco e ao fundo tocava o hino do Corinthians, confesso que dei uma broxada. Mas foi uma broxada passageira, e vi naquele ato uma forma de “chegar chegando”, causando algum impacto, seja ele positivo ou negativo. Ninguém é perfeito. Uns poucos adoraram, enquanto muitos odiaram. Mas nada que pudesse atrapalhar o andamento do show.
Era uma noite agradável. Não choveu (o que tem sido raro nos últimos dias) e tinha até umas poucas estrelas no céu. Não estava calor nem frio. Um clima agradável, pelo menos pra mim.
O show foi bom. Confesso que não conhecia tanto da obra do artista, mas sabia de sua importância para a música brasileira. O fato de não ter tanta gente (mesmo sendo de graça e numa praça no centro da cidade) evidenciou que são poucas as pessoas que tem a qualidade “bom gosto” desenvolvida e apurada na vida (seja ela musical ou não). Se fosse o Aviões do forró, ou o É o tchan!, certamente aquilo estaria lotado. Que bom que não era. Que bom que não estava.
Durante o show Toquinho disse uma coisa interessante. Disse que nunca trabalhou na vida, já que tocar violão pra ele não é exatamente um trabalho. Ele tem razão, mas quando ele disse isso achei que era um desrespeito as pessoas que ali estavam. Tudo bem que ele é um privilegiado, mas não são todos que podem ser iguais a ele. Aliás, poucos podem ser assim e dão essa sorte (ou possuem esse dom). Mas acabei entendo e interpretando que o que ele quis dizer mesmo, era que quem trabalhava com o que gosta, nunca encara aquilo como um trabalho. Nesse caso, ele tem razão.
Eu particularmente gosto de trabalhar. Não exatamente no horário que o faço, visto que odeio acordar cedo. Eu renderia mais se pudesse trabalhar a hora que quisesse (tipo das 10hs às 20, com uma paradinha de 2 horas pra comer alguma coisa). Acho que todos poderiam ser assim. Poderíamos ser pagos pelo que fazemos, e não pelo tempo que ficamos na “firma”. Tudo bem que algumas profissões não poderiam se encaixar nisso. Motorista de ônibus, por exemplo, deveria ser mais do que pontual e cumprir horários.
Encarar o trabalho como uma atividade prazerosa é muito importante. Fazer durante 8 horas do dia algo que a gente odeia não é bom. Deve até fazer mal pra saúde. No fim da vida, se morrêssemos com 90 anos, passaríamos uns 20, 25 anos (já descontando infância, aposentadoria) de cara amarrada, sem gostar do que fazemos. É 1 terço do dia perdido, todo dia. Muito tempo.
É bom a gente achar o que gosta de fazer logo. Alguma coisa precisa nos dar prazer. Nem que seja vadiar. Deve ter profissões de todos os tipos. Aliás, a mais antiga do mundo deve ter surgido de alguém que não gostava muito de trabalhar, se é que vocês me entendem.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s