Quanto vale uma mentira?

Por Leandro Lourenço
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A mentira veio pra ficar. Não sei quanto tempo de vida ela já tem, mas desconfio que não seja pouco não. Desde que ela “chegou”, certamente nunca mais foi embora. Nem ficou naquele vai-e-volta. E aceitando ou não, aprendemos a conviver com ela, a ponto de aceitá-la em muitas ocasiões.
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No dia em que nascemos, a mentira já deu as caras. Aquela sua tia não estava dizendo a verdade quando te viu pela primeira vez, com 1 dia de vida, e disse que você era lindo (ou linda, não importa). Não existe um recém nascido que seja no mínimo bonitinho (que é o tal do feio arrumado). Aquele misto de careta com choro, sem nenhum dente na boca e com a cabeça sem um fio de cabelo não deixa ninguém “bonitinho”. Já começa por aí.
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A gente começa a andar, entender algumas coisas e lá vem mais algumas mentiras. Nossos pais, sabe-se lá por qual motivo, enfiam na nossa cabeça historinhas bonitinhas e bobinhas, e nos fazem acreditar em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e em mais um monte de baboseira, pra depois de alguns anos, com aquela cara lavada, nos dizer que era tudo mentirinha. Sem contar na péssima música da Cuca (aquela que vem te pegar, caso você durma), que é de deixar qualquer criança aterrorizada.
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E ao ponto em que vamos “evoluindo”, mais mentirinhas vão surgindo.
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Depois de algum tempo, quando já estamos bem grandinhos, ouvimos mais algumas mentirinhas. Quando sua mãe diz que está tudo bem com os olhos cheios de lágrimas, certamente ela está mentindo. Assim como seu pai, que parece que vai estourar numa pilha de nervos, te diz que está tudo sob controle. Não está, pois se estivesse, ambos não estariam daquela maneira.
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E diante de tantas mentiras, existe uma questão que ninguém nunca parou pra pensar e responder: até que ponto a pessoa que houve uma mentira tem culpa naquilo?
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Sabemos que existem pessoas que não tem o famoso autocontrole. Diante da possibilidade, mesmo que mínima, de alguma coisa dar errada, já começa a fazer escândalo e ter atitudes que não vão ajudar em nada na situação. Nesse caso, acredito que o culpado pela mentira não seja totalmente quem conta, mas também quem a ouve. É muito mais fácil dizer que está tudo bem, só pra não criar mais um problema no momento.
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Claro que existem os canalhas que contam mentira por causa própria. Enganar a mulher, os filhos, o patrão ou qualquer outra pessoa. Tudo pela canalhice. Mas esses são um caso a parte.
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Portanto, a mentira vem de berço. Ela praticamente nos criou, e como largá-la assim, de repente? Nossas mães não deveriam ficar preocupadas quando falávamos que não queríamos ir à escola por conta de uma dor de barriga. Ela deveria saber que aquela é mais uma mentira que inventamos, mas que isso só foi possível porque ela nos ensinou.
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E pensando assim, eu entenderia o Cazuza quando disse que mentiras sinceras lhe interessava. Talvez ele teve esse pensamento antes de mim, bem antes.
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