Queria ser um roquestar. Você não?

Eu queria ser um roquestar. Colocar uma mochila nas costas, cheia de roupas limpas, mas amarrotadas, segurar um instrumento (preferencialmente de cordas) na mão esquerda e com a direita acenar pra quem fica, como quem dá um “tchau!”. Acenar uma, ou no máximo duas vezes apenas, e partir. Pra onde? Não sei. Um roquestar nunca tem destino traçado. Se tiver, pelo menos o caminho até lá é desconhecido.

Não importa se eu ficaria alguns dias sem tomar banho, ou dormindo em lugares estranhos e desconfortáveis. É bem provável que essas duas coisas acontecessem ao mesmo tempo. Nada de camarim com toalhas brancas ou um monte de guloseimas pra comer. Só uma cerveja com alguns petiscos bastariam. Não importa nada disso. Queria ter essa sensação, uma única vez na vida, simplesmente para experimentar. É preciso sentir o gosto das coisas. “Experimentar é a única maneira de estar vivo, ou tudo se resumirá a respirar e ver tudo passar”, já diria o outro. Eu sei que há algum tempo atrás eu tinha mais disposição, mas não interessa, de verdade, se aparecer agora a gente faz um esforço e vai. Nada para um roquestar é fácil.

Eu voltaria, pode ter certeza disso, mas não tão rápido quanto as pessoas queriam. Elas diriam que sou louco, doente, que certamente precise de um tratamento psicológico. “Onde já se viu andar por aí, sem destino, comendo mal, dormindo mal e tocando rock?!”. Era o que eu queria que elas pensassem ou falassem. Queria aproveitar cada momento ou todos os momentos. Até o fim. Ser o último a ir embora, exausto, suado, mas com o sorriso contido, pensando sempre que amanhã tem mais. E no outro dia, todas as previsões se concretizariam.

E quando eu cansasse voltaria, de alma lavada e com milhares de histórias pra contar. Eu contaria com detalhes para os poucos que quisessem me ouvir. Contaria tudo, não importando se as histórias fossem recheadas de fracassos. Tudo isso faz parte da vida.

Ass: Juninho, 13 anos

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9 pensamentos sobre “Queria ser um roquestar. Você não?

  1. caralho… achei que era você falando.
    mano, é bem isso mesmo, tocando rock sempre, viajando sempre, se fodendo sempre.
    nem sempre rola cachê, nem sempre rola lugar pra ficar.

    mas o sorriso no rosto e a alma lavada, isso eu garanto.

  2. Digo e repito: prefiro seus textos literários. Não sei por que (acho que você sabe melhor que eu o motivo rs).Gosto quando vezes ou outras me deparo aqui com seus textos que tendem para algo mais ficcional.

    Quem um dia não sonhou em ser um “ROQUESTAR”?

    Outra coisa, quando a literatura é explicada e o textos esmiuçados, o sentido literário propriamente dito se perde ;)

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