O desacreditado

 

Depois de tantos erros durante sua breve vida, “ele” se viu em sua última encruzilhada. Não tinha mais pra onde correr, muito menos onde se enfiar. Poderia sim se enterrar, mas essa era uma decisão difícil, e até então pouco provável.

E com tantas mentiras, nem Deus acreditava mais em suas palavras. Seus pedidos eram recebidos sempre com desdém, como quem deixa de lado um currículo mal redigido. Suas promessas, como se esperava, era motivo de piada no céu. Deus, sempre com sua postura séria, não dizia nada. Já os anjos, sinceros e descompromissados, caçoavam de qualquer promessa feita por “ele”.

Não tinha mais como esconder. Todos sabiam de seu “gingado” com as palavras. Só os loucos poderiam acreditar numa conversa breve, daquelas que não duram mais que 5 minutos. Mas esse tempo era pouco, não dava pra mentir tanto e levar alguma vantagem, ainda mais com um louco.

A solução foi inventar mais uma mentira. Talvez a última, para tentar impressionar. Disse, sem muita credibilidade, que iria se matar. E depois disso, viu-se num dilema: se realmente cumprisse a promessa, não poderia fazer mais nada por aqui. Todas suas mentiras seriam ainda mais lembradas pelos que ficaram, e quando chegasse ao céu viraria outra vez motivo de chacota. Isso é, se conseguisse chegar até lá.

Se não cumprisse a promessa, seria ainda pior. Como explicar? Aliás, pra quem explicar? Certamente viveria o resto de seus dias sozinho, e teria como companhia apenas o sol que arderia cada vez mais sobre sua cabeça.

Era uma situação complicada, pra todos. Seria bem mais simples se ele tivesse mudado a postura um pouco antes. Ou se ainda assim, tentasse resolver qualquer situação com atitudes, e não palavras.

Numa situação assim, acho que ele torceria ferozmente para que fosse mudo. Mas ainda assim, era tarde demais. Quem acreditaria se ele cortasse a própria língua?

E como é fraco, continua em seu dilema. Até se cansar de tudo isso, ou alguém ficar de saco cheio. Pior seria se esse alguém fosse Deus. Nisso ele não quer nem pensar.

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