Americana, 2056

6h25 da manhã. Nunca fui de acordar muito cedo, mas agora que tenho 70 anos cheguei ao meu limite. Se passar disso, fico fritando na cama, com a consciência pesada pensando no pouco tempo que me resta e que invariavelmente estou desperdiçando. Prefiro levantar, fazer um café forte para os que ainda dormem – já que eu não bebo café – e esperar que o dia seja minimamente agradável.

Não tenho planos para hoje. Isso me deixa mal, sem rumo. O que me resta é ir até a sacada do apartamento e ver a grande movimentação da rua. Pessoas que vão e voltam num ritmo frenético, correndo sabe-se lá pra onde. Eu sei como é isso, já fui assim. A gente corre feito louco e jamais sabe onde vai parar. Ou se sabe, não quer acreditar.

Acho que antes do almoço vou sentar um pouco na praça. Isso é, se eu notar que nela não tenha nenhum hippie, desses que vendem esses artesanatos sem utilidade, ou que simplesmente querem um trocado pra pegar um ônibus sabe-se lá pra onde. Depois, se eu tiver fome, vou almoçar alguma comida congelada, dessas de microondas.

E o restante das minhas horas não vão passar disso. Uma eterna luta contra o relógio, matando o tempo com as poucas armas que ainda tenho, esperando que ele me dê o golpe de misericórdia. É assim que eu imagino a maioria dos meus dias de aposentado, inclusive da vida ativa.

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