O que é essencial é bem visível aos olhos

A alta culinária nunca me cativou. Não é frescura, ou falta de dinheiro – em alguns casos pode até ser. Gosto de comer em lugares mais simples, sem ter que ficar escolhendo entre vários tipos de garfos pra comer um arroz com feijão bem cheio de caldo por cima. Por conta disso, gosto de frequentar restaurantes mais singelos.

Isso não quer dizer que locais como o citado acima sejam ruins, sujos ou baratos demais à ponto de prejudicar a qualidade da comida que oferecem. Simplicidade vai além disso. Mas não foi o que vi sábado passado, quando saí de casa afim de me alimentar dignamente com o pouco dinheiro que me restava num dos poucos bolsos da velha calça jeans surrada da semana toda.

O restaurante em questão fica pertinho de casa. Antes era uma portinha, e pelo fato da comida ser boa, foi crescendo. Depois de alguns anos, seu espaço foi tomando conta do quarteirão e na avenida ele passou a ser notado quando visto de longe. Uma boa reforma, visto que ficou mais aconchegante e bonito. Cresceu e fizeram-lhe uma boa “maquiagem”, o que talvez fosse necessário. O problema foi a falta de planejamento pra crescer.

Cheguei e tinha uma fila grande. Imaginei que era o “horário de pico” do lugar. “Todo mundo quer comer ao mesmo tempo, na mesma hora”, pensei. Antes fosse isso. O motivo da fila, pásmem, era a falta de arroz branco pronto. Era só reclamação de quem esperava, como era de se esperar.

Isso não é tão incomum como deveria ser. Os pequenos comércios muitas vezes crescem, aumentam suas receitas e logo partem para voos mais altos, fazendo reformas e ajeitando o lugar – quando não arrumam um local mais amplo – para atender um número maior de clientes. Tudo isso é válido, desde que não deixe com que questões essenciais causem constrangimento nesses mesmos clientes.

Jamais será “permitido” que se falte arroz ou feijão num restaurante, seja ele grande, médio ou uma simples “marmitaria” – é o termo da moda – de bairro. Assim como não se deve faltar bexigas numa loja de artigos de festas, cerveja num depósito de bebidas entre outros exemplos que poderia citar aqui. É queimar o lugar, desmerecer e até desrespeitar aqueles que estão ali para consumirem o produto em questão. É o começo pra todo investimento começar a virar uma dor de cabeça.

Pode ser que tenha sido a única falha desse restaurante em anos. Não importa. O motivo é tão chulo que fez com que muitos reclamassem, e numa próxima oportunidade, vão pensar muito caso o tal restaurante entre no cardápio de opções do dia. Aquilo não me estressou – mesmo esperando 15 minutos, olhando pra cara de apavorado do dono -, mas fez com que o estabelecimento tenha caído bastante no meu conceito.

Minhas moedas aquele lugar não guarda mais. Sorte dele – do dono apavorado – se for somente as minhas. Nesse caso, o essencial é visível aos olhos e quem mais reclamou foi a boca, de fome.

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