Liberdade?

Quando eu era bem mais novo, achava um absurdo a guerra entre Israel e o povo palestino. Não era nem por tomar parte de um dos lados, mas achava o cúmulo tudo aquilo ter como motivação a religião.

Os anos se passaram, eu envelheci um pouco, e mesmo assim continuo achando toda e qualquer briga religiosa uma grande babaquice. Tenho minha religião mas acho pra você, ela pouco importa. É por isso que não vou nem me dar o trabalho de dizer qual ela é.

Acredito que cada um deva ter suas crenças, acreditar naquilo que convém. Eu sei que esse pensamento é batido, e às vezes é até pregado por certas religiões, mas na prática não é o que se vê. Muitas pessoas ainda acham um absurdo a guerra por causa da religião, mas ao mesmo tempo não perdem a oportunidade de criticar – quando não tentam converter – aqueles que pensam de outra forma.

A grande discussão agora é sobre Salve Jorge, novela da Globo. Os evangélicos estão histéricos, falando deus e o diabo do tal do Jorge, que segundo eles teve parte com o coisa ruim. Confesso que não me aprofundei no assunto, mas isso também pouco importa. E se a novela for sobre espiritismo? E se for sobre o candomblé? Só pode sobre os apóstolos?

A conclusão que tiro disso tudo é que dá cada vez mais vontade de se isolar, acreditar em algo, mas ficar em casa sem freqüentar templos de qualquer crença. E acho que esse não é um problema apenas dos evangélicos – talvez eles sejam os mais exaltados -, mas de todos aqueles que acreditam fanaticamente em algo e não conseguem respeitar a opção do outro.

É cada vez mais difícil acreditar que as coisas vão mudar, que podem melhorar. Quando pensamos que resolvemos determinado problema, alguém chega com outro na manga, pronto para não deixar as coisas caminharem bem.

Hoje o problema é a novela. Ontem foi o beijo gay, a liberdade de expressão e sexual, entre outras coisas. Tudo servindo para alimentar a fogueira da intolerância, da falta de respeito e do preconceito.

Tem gente que prega em nome de Deus, mas é quase certo que faz tudo do avesso, como se jogasse no outro time. E assim a gente vai caminhando, sem respeitar ninguém e achando que o mundo vai ser melhor. Melhor pra todos, mas só se o todo concordar com o que a gente pensa e faz. A religião, de solução – pelo menos pregada como tal -, passou a ser problema.

Assim fica difícil.

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