Tragédias de norte à sul

É impossível não se comover diante da tragédia de Santa Maria. Pelos mortos e pelos que ficam. Mães desesperadas, que ligavam insistentemente nos celulares dos filhos que já estavam mortos.

O mais triste disso tudo, é tentar montar um quebra-cabeça onde faltam peças. E achar que mesmo assim tudo vai dar certo. O mais triste nisso tudo é o julgamento de quem não faz nem ideia do que se passou naquela madrugada. Juízes que dão a sentença sentados em seus confortáveis sofás.

Mas o mundo é feito de pequenas tragédias, quase que diariamente. Não gosto de comparações, e isso nem vem ao caso. Mas é certo que todos nós estamos sujeitos aos caminhos que traçaram pra nós e todas as dificuldades que iremos encontrar.

Na sexta-feira à noite dois ladrões entraram na minha casa. O triste não é saber que eles levaram a TV e o computador – que já eram até ultrapassados – dentro do seu próprio carro. Mas a lágrima escorre quando você pensa que poderia estar lá no momento, e que os marginais foram capazes de apontar um revólver para seus pais.

A sensação é de impotência.

Como eu disse, não quero comparar sofrimentos. Cada um sabe aquilo que passa e nenhum relato mais minucioso vai fazer você sentir o que um pai de Santa Maria sente nesse momento ou o que meu pai sentiu quando viu o 38 apontado pra ele. Ou de qualquer outra pessoa do norte do país que sofre por outros motivos, talvez silenciosamente.

O mais triste é que vivemos de pequenas ou grandes tragédias, todo santo dia. E contra isso, eu sinceramente não sei o que fazer.

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