Um homem pobre

Ando desconfiado que minha mulher ganha mais do que eu para trabalhar. Confesso que isso não me causa nenhum tipo de preocupação, embora eu saiba que nem todos os homens pensem assim.

Dias atrás fui ao banco e peguei o mesmo elevador que um dos seguranças do local. Costumo sempre ver ele por ali, e o sujeito acabou puxando assunto até que chegássemos ao nosso destino. Conversa de elevador, como “e aí, trabalhando muito?”. Nem sei o que respondi, mas ele tinha necessidade de falar sobre aquilo. Disse que estava trabalhando demais, fazendo uns “bicos” no fim de semana, como segurança mesmo – pelo que ele me disse não parou um só minuto no fim de semana -, pra ganhar um pouco mais.

Fracasso mulher ganha mais que homem salário machismo Rafael Graciano

O problema é que, segundo ele mesmo, esse esforço todo não era só para complementar a renda da casa. O maior medo dele era saber que sua mulher, professora, ganhava mais do que ele. “Minha mulher tá tirando mais de 2 conto no mês. Vou trabalhar 7 dias na semana, direto, mas não posso ficar dessa forma não. Preciso ganhar mais que ela.”.

Eu sei que culturalmente os homens ganham mais que as mulheres, e nisso tudo vem um pouquinho de preconceito e tudo que já foi dito por aí sobre machismo. Mas eu não sabia que existiam homens que se incomodavam tanto assim da esposa ganhar um salário maior. Eu desconfiava, mas não sabia. Deve ser algum tipo de doença, sei lá. Não acredito que eu seja um relaxado por pensar assim, ou alguém sem muita ambição na vida. Tenho outras prioridades.

No caso, eu escutei e “concordei”, mesmo não entendendo muito bem aquele papo machista. E não comentei que eu também desconfiava que minha namorada ganha mais do que eu. O cara estava tão com o “sangue no zóio” que eu fiquei com medo dele começar a me dar um sermão ali mesmo, me chamar de frouxo, essas merdas.

Tem assuntos que é melhor não debater. Ainda mais quando o sujeito carrega um 38 na cintura.

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2 pensamentos sobre “Um homem pobre

  1. adorei o post!
    Lemão, tem coisas q estão enraizadas fortemente na nossa cultura e educação, que nem sempre conseguimos entender de onde vem.
    Estou lendo “O livro do Amor” da Regina Navarro – é um levantamento histórico sobre o dito cujo.
    é bem legal pq traz em detalhes como era a vida na Grécia, Roma antiga e acredite, vc vai ter a impressão de q está lendo sobre a atualidade…rs
    vai saber se o personagem do seu post não carrega um 38 justamente pra se sentir um pouco mais “macho”? especulações psicanalíticas só pra descontrair, tá?!

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