A maldita trava elétrica

Cheguei para pegar o carro e a porta não abriu. Apertei novamente o botão do alarme pra ver se tinha feito algo de errado, mas nada mudou. O alarme desligava, mas a porta não abria, como costumava abrir em outras ocasiões. “Pronto, essa merda quebrou de novo!”, foi o que inevitavelmente acabei falando baixinho, para que ninguém na rua notasse minha frustração.

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Tenho um carro do ano. Todo carro tem um ano de nascimento/fabricação, e o meu é de 2001, com alta quilometragem no painel. Comprei de um primo há mais ou menos 6 anos e não penso em vender. Se você acha que essa crônica é uma tentativa de escrever uma mensagem subliminar para vender meu velho carro, esqueça. Não tenho interesse nenhum em me desfazer do Pedrito. É, pra quem ainda não sabe, esse é o nome dele, em homenagem ao grande Pedro Juan Gutierrez – se você não sabe quem é procure no Google.

O que mais me entristece no meu carro são as modificações que foram feitas nele durante os anos em que ele não esteve nas minhas mãos. Gosto de carro normal – e muita gente entende isso como sendo de velho -, com rodas normais, sem escapamento barulhento e principalmente na altura certa para não ficar raspando em lombada. Nada de carro rebaixado. E o Pedrito chegou mudado nas minhas mãos, fruto de alterações feitas pelo meu primo.

A trava e o vidro elétrico são exemplos dessas mudanças. O Pedrito não tinha nada disso quando saiu da concessionária, mas ganhou essas “facilidades” com o tempo. Mas que facilidades são essas que só dão problemas? Eu não vejo problema nenhum em abaixar meu próprio vidro na manivela quando entro no carro, muito menos fico cansado de trancar minha própria porta quando saio. Mas dizem que são itens de segurança, como se algum ladrão deixasse de roubar porque o carro tem alarme. Aliás, te pergunto: quantas vezes você ficou desconfiado ou chamou a polícia quando viu algum carro com o alarme disparado na rua? A maioria nem dá bola, quer mais é que se foda.

Por essas e outras, trava e vidro elétrico só servem para que a manutenção do veículo – vale lembrar que falo dos carros populares, sem luxo – fique ainda mais cara. Com isso, meu braço fica mais desacostumado aos exercícios físicos e a gente passe nervoso quando esquece de verificar se todas as portas foram fechadas quando o controle foi acionado, porque nunca é bom confiar totalmente num controle remoto que costuma dar seus problemas.

A vida seria bem mais fácil se cada um tivesse que fazer suas próprias correrias, sem facilidades que acabam dificultando as coisas com o tempo, principalmente financeiramente. A vida seria bem mais fácil se fechássemos a própria porta, levantássemos e abaixássemos nosso próprio vidro, fizéssemos semanalmente a faxina na casa entre outras coisas. Isso não mata ninguém não. Agora, se você se incomoda tanto de fazer essas pequenas tarefas cotidianas, das duas uma: ou você é um puta folgado preguiçoso ou está doente, muito mal na vida. Em ambos os casos é bom tomar cuidado, porque as coisas não parecem estar muito bem encaminhadas para quem se encontra nessa situação. Cuidado!

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2 pensamentos sobre “A maldita trava elétrica

  1. Pô a trava elétrica já veio de fabrica né, e também não fiz tantas modificações alem das rodas pois sabe que também não gosto de rebaixados e tal. Vale ressaltar que os vidros elétricos foram uma opção do seu falecido tio Antônio.

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