Meu último ato de coragem

O atendente estava prestes a finalizar a transação bancária. Só precisava de um número de telefone para contato do cliente, que aparentava ter 40 anos e estava no guichê ao meu lado. A pergunta veio junto com uma resposta seca, embora educada.

– Por favor, me diga o número do seu celular para contato.

– Não tenho celular. Não uso.

O mesmo atendente, que era o mais velho entre nós, olhou surpreso para o cliente. Procurou uma resposta rápida, mas não obteve sucesso.

A partir daquele instante a conversa tomou novos rumos. Deixei a curiosidade de lado e passei a pensar apenas na resposta daquele homem, ignorando-os dali em diante.

É estranho saber que uma pessoa resolve não ter um celular hoje em dia. Simplesmente se livrou do aparelho que nos aproxima tanto dos que estão longe, mas que também nos aprisiona. Soa como um grito de liberdade, mesmo que singelo.

Não o condeno. Talvez ele seja muito mais livre do que todos nós, e a liberdade jamais deve ser condenada. Parabéns meu caro pela sua coragem. E me desculpe pela atitude mesquinha.

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