O último homem sem barba dessa cidade

Não vou ao cabeleireiro há mais de 6 anos. Depois que descobri que posso cortar o pouco cabelo que tenho em casa, abandonei o Valdir, que cortou meu cabelo desde minha infância.

Valdir não fazia – não sei se sabia fazer – cortes modernos. É o antigo e famoso barbeiro. Ele sequer lavava o cabelo dos clientes. Não tinha frescura, e o máximo que fazia naquele tempo era jogar um pouco de gel na hora de pentear – usar gel estava na moda naquela época. Só.

E o barbeiro, profissional que estava ultrapassado depois do surgimento dos cabeleireiros moderninhos, voltou ao mercado como um profissional moderno.

A “moda” tratou de resgatar os antigos barbeiros e suas barbearias. Ou melhor, os cabeleireiros moderninhos se cansaram dos salões requintados/esterilizados e resolveram abrir seus barber shops para ganhar uma grana e explorar a onda retrô.

Para os homens, podemos dizer que foram tempos difíceis. Eu mesmo cheguei a cortar o cabelo num desses salões, e convenhamos, era desconfortável. O ambiente era frio e tentavam sempre te deixar com cara de modelo de revista, fazendo o cabelo da moda. Corri disso rapidamente. Pra cortar o cabelo de um homem não é preciso muito.

Algum visionário e entendido de marketing viu a possibilidade de recriar os ambientes masculinizados com novos atrativos, como mesa de sinuca e cerveja. Parece que deu certo. Hoje temos inúmeras barbearias pela cidade que utilizam esse conceito e a tendência é que o número – de clientes e de estabelecimentos desse tipo – cresça.

Mas não se engane. Os bairros periféricos estão cheios de barbeiros reais, verdadeiros e sem frescura. Que cobram R$10 ou R$15 pra dar um “tapa no telhado”. Preço assim você não vai encontrar nos barber shops.

É bom que exista essa renovação, mudanças e alternativas. Mas é melhor ainda saber que algumas coisas não mudam, no máximo “adormecem”. Quiseram matar os barbeiros. Quiseram. Eles provaram que são imortais, e que a tradição não se curva a idéias moderninhas que acham por aí.

Afinal, cortar o cabelo não é nenhum evento ou compromisso social. É só cortar o cabelo.

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